CONTEXTO
Compreender uma transformação que não pode ser explicada apenas pelo total nacional.
Entre os Censos Demográficos de 2010 e 2022, o contingente de pessoas indígenas registrado no Brasil apresentou uma transformação expressiva. Entretanto, observar apenas o crescimento agregado não é suficiente para compreender como essa mudança ocorreu.
O projeto investiga essa transformação por diferentes recortes territoriais, considerando situação urbana e rural, presença em Terras Indígenas, Grandes Regiões e Unidades da Federação.
PERGUNTAS ANALÍTICAS
O que procuramos descobrir?
- O crescimento da população indígena entre 2010 e 2022 foi significativo?
- Esse crescimento ocorreu de maneira semelhante em áreas urbanas e rurais?
- Como a presença dentro e fora das Terras Indígenas altera a interpretação dos dados?
- Quais regiões e estados concentraram as maiores transformações?
- Que padrões espaciais emergem quando os dados são representados geograficamente?
DADOS E PREPARAÇÃO
Da publicação estatística à base analítica.
Os dados utilizados são provenientes dos Censos Demográficos de 2010 e 2022 publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A preparação envolve organização dos recortes territoriais, tratamento dos valores, padronização das variáveis e geração de tabelas intermediárias destinadas às análises, visualizações e dashboards.
Metodologias Analíticas: variação absoluta, variação relativa, participação percentual, comparação territorial e análise espacial.
Minha atuação: aquisição e tratamento dos dados do IBGE, construção do pipeline analítico em Python, análise estatística e espacial, desenvolvimento das visualizações, criação dos dashboards em Streamlit e Power BI e documentação do projeto.
Variação absoluta e relativa
Mensuração do crescimento da população indígena entre 2010 e 2022, distinguindo o impacto em número de pessoas da intensidade proporcional das mudanças.
Participação percentual
Avaliação da distribuição da população indígena entre áreas urbanas e rurais, dentro e fora de Terras Indígenas e entre diferentes recortes territoriais.
Comparação territorial
Análise das diferenças entre Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, evitando que resultados agregados ocultassem comportamentos estaduais distintos.
Análise espacial
Utilização da distribuição geográfica para identificar padrões de concentração, dispersão e mudanças territoriais entre os dois censos.
RESULTADOS
O crescimento nacional esconde transformações demográficas e territoriais distintas.
A população indígena registrada cresceu 88,96% em doze anos.
O contingente registrado pelos Censos passou de 896.917 pessoas em 2010 para 1.694.836 em 2022, um acréscimo absoluto de 797.919 pessoas.

O crescimento agregado estabelece a dimensão da transformação, mas não explica onde ela ocorreu. Para isso, é necessário decompor o resultado segundo situação do domicílio e território.
Quase três quartos do acréscimo líquido ocorreram no componente urbano.
A população indígena urbana passou de 324.834 para 914.746 pessoas, crescimento de aproximadamente 181,6%. O contingente rural também aumentou, porém em ritmo consideravelmente menor: de 572.083 para 780.090.

Essa decomposição modifica a leitura inicial do crescimento. Em 2010, 36,2% da população indígena registrada era urbana; em 2022, essa participação chegou a aproximadamente 54,0%.
O crescimento foi profundamente desigual entre as regiões brasileiras.
Norte e Nordeste mais que dobraram seus contingentes indígenas registrados, enquanto Sul e Sudeste apresentaram variações muito mais moderadas.

A magnitude nacional, portanto, não representa uma trajetória uniforme. O resultado agregado é produzido por movimentos regionais substancialmente diferentes.
A análise espacial revela padrões que os totais nacionais não mostram.
Ao deslocar a análise para as Unidades da Federação, torna-se possível observar onde o crescimento relativo foi mais intenso e distinguir concentração populacional de velocidade de transformação.

A cartografia complementa rankings e indicadores ao mostrar a distribuição territorial dos fenômenos, tornando a dimensão geográfica parte da própria análise e não apenas um recurso ilustrativo.
A maior parcela do crescimento ocorreu fora de Terras Indígenas.
A população residente em Terras Indígenas passou de 517.383 para 622.844 pessoas. Fora delas, o contingente aumentou de 379.534 para 1.071.992.
Cerca de 86,8% do acréscimo absoluto registrado entre os dois Censos corresponde ao contingente situado fora de Terras Indígenas. Essa dimensão territorial é fundamental para interpretar a transformação observada.
EXPLORAÇÃO INTERATIVA
Dois produtos complementares.
TECNOLOGIAS
Ferramentas utilizadas no projeto.
- Python
- pandas
- NumPy
- GeoPandas
- Matplotlib
- Plotly
- Streamlit
- Power BI
- Power Query
- DAX
- pytest
- Git
- GitHub
- uv
LIMITAÇÕES E EVOLUÇÃO
Os resultados devem ser interpretados à luz desses limites e dos recortes analíticos adotados.
A versão atual concentra-se na exploração demográfica e espacial dos dados disponíveis nos Censos de 2010 e 2022. As análises devem ser interpretadas dentro desse recorte e não constituem, isoladamente, explicações causais para as transformações observadas.
Conhecer a realidade dos povos indígenas é reconhecer sua presença histórica e contemporânea, sua diversidade e sua contribuição fundamental para a formação social, cultural e territorial do Brasil.
